terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Introdução


         Estamos num país subdesenvolvido (periférico, me desculpem) cuja cultura popular esteve sempre pressionada por aquilo que o padrão americano e/ou europeu estabelecia.
         Como um estudante que só conheceu o mundo nos tempos da repressão vitoriosa e que fez seu debut político cantando Caminhando na Praça da Sé em 1973, eu olho para aquela década com respeito e inveja, porque a geração que fez Luís Travassos, John Lennon, Augusto Boal, Mick Jagger, Che e Cohn-Bendit, fez aquilo que outros gostariam de ter feito e que a repressão e a autocensura não deixaram. Não há espaço aqui para analisar isso, mas a verdade é que eles ridicularizaram o planeta e fizeram todo mundo ver que o rei estava nu. Brilhantes.
E inimitáveis. Sim, porque os tempos mudaram. Pode parecer perda de tempo dizer isso, mas os 80 não são os 60. Ninguém fez ou faz o que a geração de 68 fez. Para deglutir tudo aquilo que os jovens dos anos 60 denunciavam vai ser necessária mais de uma geração.
Não há sentido em você cobrar de um adolescente de hoje a politização que você possuía em 64 ou 68. Não pense que os de hoje esqueceram suas idéias e seus mortos. Apenas não lhes cobre a cópia.
Por isso, quebre seu dogmatismo para com o rock e você ouvirá melhor o que os novos jovens acham do mundo.
Existem vários rocks, do mais harmonioso e melódico como o dos Beatles, passando pelo progressivo do Gênesis e do Yes até o mais ''pauleira'' do Deep Purple ou do Led Zeppelin.
Na verdade, o que é necessário perceber é que tudo é uma questão de se acostumar. Negar o rock é, como em várias outras posturas conservadoras, negar os tempos.
Dê-se uma chance. Preste atenção na letra de Street fighting man e você vai descobrir que o rockeiro não é tão alienado quanto você pensa; lembre que o LP Sandinista talvez divulgue muito mais a causa nicaragüense do que todos os jornais alternativos juntos; descubra que os vocais dos Beatles, dos Mama's and Papa's ou do Queen são de encher os olhos; sinta como um solo de guitarra do Eric Clapton, do George Harrison ou do Jimmy Hendrix são de arrepiar a espinha; Ouça o Sgt. Pepper's, o Tatoo you, o Tommy, o Hair, o The game ou o Selling England by the pound e me diga depois se você não sentiu nada.


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